Penitência é o sacramento pelo qual recebemos o perdão medicinal de Deus pelos pecados cometidos depois do Batismo.
Este sacramento é também chamado Sacramento da Reconciliação, porque nos reconcilia não só com Deus mas também com a comunidade eclesial. Os dois aspectos da reconciliação são importantes.
Como membros do corpo de Cristo, tudo quanto fazemos influencia todo o corpo. O pecado fere e enfraquece o Corpo de Cristo; a cura que alcançamos na Penitência restaura a saúde e a energia tanto da Igreja como de nós mesmos.
Quando alguém se desvia do amor de Deus ou o abandona, o dano recai sobre o pecador. O pecado venial enfraquece nosso relacionamento com Deus. O pecado mortal rompe esse relacionamento.
O pecado é uma realidade trágica. Mas o sacramento da Reconciliação é uma assembléia festiva. O capítulo 15 do Evangelho de São Lucas exprime esta alegria de modo comovente. Em Lc 15, os fariseus acusam Jesus de ser misericordioso demais. Em resposta, Jesus conta três parábolas. Na primeira, Deus é semelhante a um pastor que deixa noventa e nove ovelhas para procurar uma que está transviada. Ao achá-la, ele se enche de alegria.
Na segunda parábola, uma mulher encontra uma preciosa moeda que tinha perdido e promove uma grande festa. Jesus comenta: "Assim também, eu vos digo, há alegria diante dos anjos de Deus por um só pecador que se arrepende".
A terceira parábola é a história do filho pródigo, Quando ele volta para casa, seu pai o acolhe com um terno abraço.
Quando você confessa seus pecados sinceramente, com verdadeiro arrependimento e resolução de não pecar mais, Deus se alegra. Os fariseus descritos no Evangelho de Lucas eram homens severos, rígidos, juizes mais exigentes que Deus. Ao contrário, o Pai revelado por Jesus é quase bom demais para ser verdadeiro. Assim é o próprio Jesus, que você encontra neste sacramento. Tal Pai, tal Filho. No sacramento da Penitência, Jesus o abraça e o cura.
"Contrição e Atrição
A Contrição consiste em pedir o perdão de seus pecados por amor de Deus. A atrição, por sua vez, consiste em pedir o perdão dos pecados por temor do inferno.
A primeira, contrição (chamada de contrição perfeita), apaga os pecados da pessoa antes mesmo da confissão. Todavia, só é verdadeira se há a disposição de se confessar com um padre. Foi desta forma que se salvaram os justos do Antigo Testamento. A atrição só é válida através do sacramento da confissão, o qual é eficaz mesmo se há apenas "medo do inferno".
Ninguém duvida de que o sincero arrependimento dos pecados, com firme propósito de não pecar mais, e satisfação feita a Deus e aos prejudicados, eram, no Antigo Testamento, condições necessárias e suficientes para obter o perdão de Deus. O mesmo vale ainda hoje para todos os que desconhecem Nosso Senhor Jesus Cristo e seu Evangelho (desde que sigam a Lei Natural) e para os que não têm como se confessar (desde que tenham um ato de contrição perfeita). Mas quem, em seu orgulho, não acredita nas palavras de Cristo Ressuscitado, com as quais ele instituiu o sacramento da penitência, e por isso não quer se confessar, não receberá o perdão, pois não ama à Deus verdadeiramente.
Cada pecado é um ato de orgulho e desobediência contra Deus. Por isso "Cristo se humilhou e tornou-se obediente até a morte, e morte na Cruz" (Flp 2, 8) para expiar o orgulho e a desobediência dos nossos pecados, e nos merecer o perdão. Por isso ele exige de nós este ato de humildade e de obediência, na Confissão sacramental, na qual confessamos os nossos pecados diante do seu representante, legitimamente ordenado. E, conforme a sua promessa: "Quem se humilha, será exaltado, e quem se exalta, será humilhado" (Lc 18, 14).
Alguns protestantes aliciam os católicos para sua seita com a promessa de que, depois do batismo (pela imersão), estariam livres de qualquer pecado e nem poderiam mais pecar! Conseqüentemente, concluem que não haveria necessidade de confissão. Apóiam esta afirmação nas palavras bíblicas de (1 Jo 3, 6 e 9). Todavia, basta confrontar essa passagem com outra, do próprio João Apóstolos (1 Jo 1, 8-10), para perceber que a conclusão é precipitada: "Se dissermos que não temos pecado algum, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo, e nos perdoa os nossos pecados, e nos purifica de toda a iniqüidade. Se dissermos que não temos pecado, taxamo-Lo de mentiroso, e a sua palavra não está em nós".
Portanto, todos os homens necessitam de misericórdia divina; e os sinceros seguidores da Bíblia recebem-na, agradecidos, no sacramento da Confissão.
O que é necessário para uma confissão?
1. Exame de consciência;
2. Ter arrependimento (atrição ou contrição);
3. Propósito de não recair no pecado e de
evitar as circunstâncias que o favoreçam;
4. Confessar-se sem omitir nada;
5. Cumprir a penitência estabelecida pelo confessor.